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Campanha da Fraternidade 2022

Campanha da Fraternidade 2022

Todos os anos a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - traz uma proposta para a Campanha da Fraternidade. Em 2022, a ideia é promover um diálogo sobre a realidade educativa no Brasil, à luz da fé cristã, indicando caminhos em favor do humanismo integral e solidário, refletindo o papel da família, da comunidade de fé e da sociedade no processo educativo, com a colaboração das instituições de ensino.

O cartaz que ilustra o tema e o lema da campanha neste ano traz uma mulher, flagrada em adultério, prestes a ser apedrejada. Jesus, Mestre e Educador, apresenta uma nova forma de educar, renovando a esperança no ser humano. A ideia central do cartaz é conduzir o interlocutor ao Mestre Jesus, que na imagem se coloca de perfil, em pé e curvando-se em direção à mulher que está sob juízo. A mulher, também curvada no cartaz, se coloca à disposição para ouvir e aprender. O pequeno coração vermelho reflete o gesto misericordioso e educador. “Com Cristo, aprendamos a falar com sabedoria e ensinar com o amor. Eis o tempo de conversão e compromisso! ”. “Fala com sabedoria, ensina com amor”. Este lema, inspirado no livro de Provérbios 26, traz à luz o nosso papel no contexto educativo. A educação Cristã, especialmente, visa isso: falar com sabedoria e ensinar com amor, através da qualidade de nossa presença e à luz do Evangelho. Educar é humanizar, é um ato de amor e esperança. Servir à educação e estar a serviço da dignidade humana. Qual é o modelo de educação que almejamos?

O documento Texto Base apresenta o objetivo geral e os específicos:

OBJETIVO GERAL

Promover diálogos a partir da realidade educativa do Brasil, à luz da fé cristã, propondo caminhos em favor do humanismo integral e solidário.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1. Analisar o contexto da educação na cultura atual e seus desafios, potencializados pela pandemia.

2. Verificar o impacto das políticas públicas na educação.

3. Identificar valores e referências da Palavra de Deus e da tradição cristã em vista de uma educação humanizada, na perspectiva do Reino de Deus.

4. Pensar o papel da família, da comunidade de fé e da sociedade no processo educativo, com a colaboração dos educadores e das instituições de ensino.

5. Incentivar propostas educativas que, enraizadas no Evangelho, promovam a dignidade humana, a experiência do transcendente, a cultura do encontro e o cuidado com a casa comum.

6. Estimular a organização do serviço pastoral junto a escolas, universidades, centros comunitários e outros espaços educativos, em especial das instituições católicas de ensino.

7. Promover uma educação comprometida com novas formas de economia, de política e de progresso verdadeiramente a serviço da vida humana, e, em especial, dos mais pobres.

Diante de objetivos tão relevantes, qual seria o nosso caminho? Palavra, escuta, discernimento e ação. Este é o caminho que a Campanha da Fraternidade 2022 nos leva a percorrer.

PALAVRA

Somos discípulos da palavra de Deus, é ela que nos educa. O Evangelho de 2 João 8, 1-11 mostra-nos como Jesus naquela cena, diante da mulher surpreendida em adultério, educa a todos com sua sabedoria. Notam-se, portanto, as consequências de uma educação através da proximidade, feita com sabedoria e amor, revelando-nos que a educação é um ato de amor e esperança no ser humano, que o permite reorientar sua vida.

A passagem aborda a acusação, onde Jesus se coloca como a voz da Justiça, em posição de proximidade em relação àquela mulher. Ele coloca a pessoa no centro. Portanto, a educação retira a pessoa humana de uma situação e reorienta sua vida por completo, com um propósito de vida nova: “Vai e não tornes a pecar”. Cita Santo Agostinho: “Ficaram apenas os dois, a miséria e a misericórdia.”

ESCUTAR

Como podemos escutar nosso contexto, nos propormos a pensar e a desenvolver um olhar sobre a realidade da educação, tendo como pano de fundo a Pandemia COVID-19 e suas consequências? Qual o novo aprendizado que nasce dessa experiência para a escola da vida? 

O texto apresenta diversos contextos educativos. São eles: educação formal, educação básica, educação popular, educação católica e importância do ensino religioso. Isto tudo levando em conta o Pacto Educativo Global. Trata-se de um convite para refletir sobre a nova realidade. É preciso recuperar a Pedagogia da Escuta.

Segundo o texto base, precisamos: “Superar a tentação de orientar os ouvidos somente para os sons que nos interessam. ” (TB Nº 29). Assim, a proposta é promover uma Escuta integral que nos possibilite perceber a vontade de Deus e os caminhos que podemos escolher. 

O documento Texto Base N 56 afirma: “O ato educativo pressupõe ações amplas e complexas que demandam um reconhecimento do lugar que a pessoa ocupa na sociedade em que está inserida, tornando-se um agente que contribua com o desenvolvimento de uma nova cultura do acolhimento.”

“É preciso educar para viver em comunhão. Educar para conceber a democracia como um estado de participação. Educar como ação esperançosa na capacidade de aprender do humano e de estabelecer relações mais fraternas em sociedade e com a natureza.”, aponta o texto Base N 57.

DISCERNIR

Olhemos para figura de Jesus: Ele é o caminho, a verdade e a vida, portanto, a educação conduz para a verdade, que para nós é o próprio Cristo. Voltando nosso olhar para a figura de Jesus, poderemos discernir, a partir daquilo que escutamos e vemos, a luz da palavra de Deus e do Magistério da Igreja.

Sob esse olhar, quais seriam os valores, princípios e características que devem presidir a educação em uma perspectiva cristã?

1. Jesus Cristo: Mestre que nos educa através do olhar, da palavra, da postura e do silêncio;

2. O serviço: somos discípulos missionários educadores a serviço;

3. Tradição: a educação da fé e a formação humana, tarefa educativa e o papel da família;

4. Antropologia cristã: favorecendo o pensar em processos educativos a partir dos princípios antropológicos que a fé cristã nos apresenta; 

5. Educação integral envolvendo diversos âmbitos e também e iniciação à vida cristã; 

6. Educar para o diálogo e para as relações;

7. A vida em família como contexto educativo: pensar caminhos que favoreçam o acesso à educação de qualidade;

8. Pensar a educação integral é também educar para o belo, o bom e o verdadeiro. 

AGIR 

Pensando no Brasil, quais as possibilidades de promover iniciativas, à luz da palavra de Deus e da experiência da Igreja no contexto educacional? 

Os gestos e as palavras de Jesus, seu modo de educar, inspiram e despertam o desejo de uma vida nova: não mais pecar, segui-lo, conhecer o caminho do Reino, amar e servir. 

Se é urgente encontrar respostas, é indispensável fazer crescer e apoiar grupos dirigentes capazes de elaborar cultura, iniciar processos, traçar percursos, alargar horizontes e criar pertenças.

O que podemos aprender com a pandemia para iniciar novos processos que contribuam para o nascimento de uma nova realidade educacional?

Priorizar a educação supõe empenho concreto que vai desde a família até a elaboração de políticas públicas. 

Um projeto de vida como fonte para uma nova sociedade. Pensar um projeto de vida é ir além da projeção de uma carreira profissional.

Um projeto de vida despertado pelos valores da fé e pelo compromisso com o bem comum terá incidência concreta na transformação da sociedade.

Precisamos “Educar para um novo humanismo” (TB N 240), buscando promover a cultura do encontro, do diálogo e da esperança. Criar redes de cooperação (inclusão) e educar para o compromisso com o outro. 

Diante do exposto, o texto nos convida a pensar iniciativas como ações no âmbito da escola, economia, política, ensino religioso, cultura, sociedade e pastorais em favor da educação. Como podemos, em nossa realidade, educar como Jesus educou?

“O caminho não escolhe os pés. Mas os pés escolhem o caminho. (Paula Santisteban) 

Papa Francisco aborda uma perspectiva integral da educação: “A educação será ineficaz e os seus esforços estéreis se não se preocupar também por difundir um novo modelo relativo ao ser humano, à vida, à sociedade e a relação com a natureza. ”(LS 215). 

Educar é construir a verdadeira fraternidade alicerçada na justiça e na paz. A campanha, portanto, almeja que nenhum ser humano seja excluído de um caminho integral que humanize, promova vida e estabeleça vínculos. E que também promova conversão de vida, justiça e paz.

REFERÊNCIAS

CNBB, Campanha da Fraternidade 2022 Texto Base, 1º Edição. Brasília; 2021.

Campanha da Fraternidade 2022. ANEC. Disponível em: https://anec.org.br/acao/campanha-da--fraternidade-2022/. Acesso em 23 Fev 2022.

BATISTA, Patriky Samuel. Formação Campanha da Fraternidade 2022. CNBB; Brasília. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=5fhFJWYJFFo. Acesso em 22 Fev 2022.